Irmãos Campana
Os Irmãos Campana (Humberto Campana, Rio Claro, 17 de março de 1953, e Fernando Campana, Brotas, 19 de maio de 1961) são respectivamente, formado em Direito pela Universidade de São Paulo, e seu irmão em Arquitetura pelo Unicentro Belas Artes de São Paulo.
Hoje possuem um reconhecimento internacional por seus trabalhos de Design-Arte. Onde, a partir de elementos do cotidiano ou simplesmente produtos sem nenhum valor, são transformados em peças de caráter extremamente artísticos, com uma linguagem única e de uso possível.
Profissionais que despertam o interesse internacional, são os uns dos poucos brasileiros com peças no acervo do MoMA, em Nova Iorque.
http://www.vemprabrotas.com.br/pcastro5/campanas/campanas.htm
Entrevista com os irmãos Campana
http://youtu.be/LoRtvbznH-8
Jum Nakao.
Jum Nakao (São Paulo, 1966) é um estilista brasileiro.
Estudou engenharia eletrônica e artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). A formação em moda veio em cursos no CIT (Centro Industrial Têxtil), onde aprendeu com professores como Marie Ruckie, Vera Lígia e Alba Noschese
JUM NAKAO - PROCESSO DE CRIAÇÃO
http://youtu.be/TuikQFWy3U0
Jum Nakao Desfile
http://youtu.be/iEuTgRiOKzQ
Memória Afetiva de Um Amor Esquecido é baseado em filme
Os Dezequilibrados. Memória afetiva de um amor esquecido, 2008. Direção: Ivan Sugahara. Dramaturgia: Rosyane Trotta. Elenco:
Ângela Câmara, Cristina Flores, José Karini e Saulo Rodrigues. Participação em vídeo: Letícia Isnard.
O espetáculo Memória Afetiva de Um Amor Esquecido é a primeira peça a ter os ingressos esgotados. Baseado no filme "Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças", discute a superficialidade e a futilidade das relações deste nosso estranho mundo pós-moderno, no qual as pessoas sentem medo de se envolverem e de sofrerem, buscando apenas o prazer nos relacionamentos, o fugaz, o momentâneo.
O texto conta a história de um jovem que, deprimido por não conseguir suportar o rompimento de uma relação amorosa, procura uma clínica especializada em soluções instantâneas, para apagar da memória sua ex-namorada. O grupo radicaliza a mistura das linguagens teatral e cinematográfica e explora as possibilidades de espaços alternativos, visando a recolocação espacial da cena e repensando a posição do público através da proximidade e interatividade com o mesmo. O espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell de melhor direção e atriz (Cristina Flores) em 2008.
Trailler - Memória Afetiva de um Amor Esquecido.
http://youtu.be/_IxOEvIs5ck
SIN SANGRE
Sin Sangre é um drama chileno
O espetáculo Sin Sangre funde as linguagens do teatro e do cinema para contar uma emocionante história humana sobre a reconstrução da memória e o perdão, em que a vingança se encaminha para o amor e a guerra pede paz. A tranquilidade de Mato Rujo é interrompida pela chegada de três homens armados, que cercam a casa de Manuel Roca e o ameaçam.
Encurralado, ele esconde sua filha pequena embaixo das tábuas do piso. Manuel e seu filho de 12 anos são assassinados pelos pistoleiros, que buscam justiça por meio da vingança. O pistoleiro mais jovem encontra a menina escondida, mas é incapaz de delatar-la e vai embora. Cinquenta anos depois, a menina encontra o pistoleiro. Ele sabe que chegou a sua hora.
Na montagem Sin Sangre, usam projeções de vídeo digital que ambientam os atores e interagem com eles. A história, de uma criança que é poupada da morte quando sua família é assassinada e que, já adulta, vai ao encontro do homem que a salvou, é do livro homônimo do italiano Alessandro Baricco. "No começo custou para adquirir esse ritmo, sintetizar o gesto. Mas depois começamos a compreender a pulsação da obra e tudo se tornou fluido. Descobrimos como navegar em nosso ofício sem perder o equilíbrio", diz Zagal.
Segundo o crítico Pedro Labra, o desafio da companhia, quando tenta fundir a linguagem de teatro e a de cinema para contar uma história, está em manter a intensidade emocional sem usar os primeiros planos, tão comuns na tela. "Sem a aproximação visual que o cinema demanda, sempre há o risco de esfriamento." Para Zagal, entretanto, tal estranhamento pode ser considerado uma resistência ao novo. "Narramos uma história com ferramentas novas, não nos interessa seguir pelo caminho já deixado. Jamais atuei da forma como essa obra hoje me pede", diz. E Zagal não está só em sua defesa. A peça, que poderá ser vista em Curitiba e São Paulo em março, já ganhou a plateia de diversos países, como Coreia e Bélgica, bem como a admiração do diretor do festival de Edimburgo, Jonathan Mills. Ele foi ao Chile vê-la e se tornou um dos coprodutores da próxima obra da companhia, que será a segunda etapa da trilogia iniciada com Sin Sangre, prevista para estrear em 2010 no próprio festival escocês. "Sin Sangre não tem humor, é uma tragédia. Já esta segunda buscará a energia do estar vivo, do 'quem sou eu no presente' ", adianta Zagal. "Desta vez trabalharemos para ver o público saindo do teatro com um sorriso nos lábios, e uma pequena lágrima de emoção."
Sin sangre. Temporada Alta 2010
FONTE; http://youtu.be/1OiHr54xygE
Dogville é um filme lançado em 2003 e dirigido por Lars von Trier, estrelando Nicole Kidman e Paul Bettany entre outros. Este filme faz parte da trilogia "E.U.A. Terra de Oportunidades" tendo como sequência Manderlay (2005) e Washington (planejado inicialmente para 2007, atualmente sem data prevista).Trata-se de uma co-produção dos países Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Reino Unido, França, Alemanha e Países Baixos.O filme é dividido em 10 partes - cada uma com créditos e uma introdução narrada -, sendo 1 prólogo e 9 capítulos. A trama acontece em um único local, uma cidade pequena dos Estados Unidos chamada "Dogville", situada no fim de uma estrada que vai até as Montanhas Rochosas, na época da grande depressão estadunidense.
O filme começa com uma tomada de cima para baixo, onde pode-se ver o desenho da cidade (com as marcações dos espaços das casas desenhados no chão). Essas tomadas perpendiculares repetir-se-ão em diversas cenas, sendo marcos importantes da narrativa. O narrador vai então apresentando os personagens um por um ("todos têm pequenos defeitos facilmente perdoáveis") e contando suas histórias.Entre os moradores de Dogville, o personagem principal é Thomas Edison Jr., um escritor que para protelar o dia em que terá que começar a escrever seu livro se ocupa em pregar sermões a toda a comunidade sobre rearmamento moral. Ele está procurando um exemplo para servir de ilustração às suas teorias e assim comprovar que os moradores não são capazes de aceitar novas situações, quando é interrompido por barulhos de tiros a distância.Nesse momento entra Grace, uma bela jovem com um vestido que denota sua origem de família rica. Ela diz a Tom que está fugindo de um gângster e Tom, percebendo nela o exemplo perfeito para sua palestra, lhe dá cobertura. Os moradores de Dogville a princípio recusam-se a aceitá-la, e Tom propõe que dêem a Grace um prazo de duas semanas, para então decidirem sua sorte. Grace, em compensação, deve ajudá-los em tarefas cotidianas. Apesar de não admitirem, eles jamais dão coisa alguma, não há generosidade ou aceitação: há um sistema de trocas e é esse sistema de compensações (o quid pro quo) que, aliado à personalidade de perdoar de Grace (seu altruísmo), anuncia a tragédia. Os moradores relutam até mesmo em aceitar a ajuda de Grace, mas acabam aceitando e Grace rapidamente começa a passar seus dias ocupada em fazer pequenas coisas que "não são necessárias", mas que os moradores "generosamente permitem" que ela faça. E assim passam-se as semanas, os moradores aceitam que Grace fique na vila, como mais um favor que ela ficará devendo a eles. Tom confessa a Grace que gosta dela e é correspondido, mas ele não assume publicamente seu amor perante Dogville, mantendo o romance deles secreto e mantendo Grace na condição de estrangeira. A aparente tranqüilidade da situação começa a mudar no dia da Independência, quando a cidadezinha recebe a visita da polícia, que afixa um cartaz onde Grace é apontada como procurada. Os moradores de Dogville consideram ainda maior a dívida de Grace com eles, fazendo cada vez mais exigências, que diante da permissividade e comportamento passivo de Grace, rapidamente transformam-se em abusos. Uma cena forte do filme é quando Chuck a estupra, como "pagamento" para que ele não a denunciasse às autoridades. Aqui a função do cenário vazio é clara: a ausência de paredes dá a nítida percepção de que todos sabem o que se passa, mas fingem não ver. A comunicação também não parece ser possível para os moradores de Dogville. O que eles falam passa longe de significar o que realmente querem dizer. Quando questionados são evasivos, mudam de assunto ou simplesmente respondem outra coisa. Chuck fala de colheita de maçãs quando está querendo abusar sexualmente de Grace, e Ma Ginger reprime-a quando ela passa entre os arbustos, com argumentos que simplesmente não correspondem àquilo que ela diz. Desse ponto em diante a constante dívida de Grace com a comunidade só cresce e ela torna-se uma escrava não só de trabalho físico como sexual. Em pouco tempo a tratam como uma escrava, que puxa um arado, e ainda sofre abusos sexuais. Somente Tom, sem capacidade de tomar qualquer atitude, não a viola. E é após ela o rejeitar, que ele decide dar um basta nessa pequena metáfora ilustrativa que ela representa, chamando o gângster que a procurava. Nesse momento revela-se que Grace não está sendo ameaçada por eles, mas é a filha do chefe maior. Quando Grace entra no carro o diretor vai preparando a platéia para a ideia de que haverá um massacre. O final catártico faz com que Dogville apresente uma estrutura narrativa herdeira das tragédias gregas, onde a platéia era levada a uma situação de tensão insuportável e liberava a adrenalina contida no final trágico. Desde sempre, quase toda obra de arte é, em última instância, um retrato do ser humano. Lars von Trier faz um retrato de pessoas cruéis, mesquinhas, egoístas e arrogantes. Tom é um covarde, incapaz de assumir responsabilidade alguma (o drama de Grace começa no dia da Independência, quando ele não assume o romance com ela). Os habitantes da vila são sers humanos que se comportam de forma instintiva, guiados pelas suas necessidades físicas e seus próprios interesses. Grace jamais foi cativa ou submissa, nunca sentiu real misericórdia e sim desprezo. Se ela realmente quisesse, poderia simplesmente ir embora. Os verdadeiros prisioneiros são os moradores.
Dogville é a antítese do bom selvagem de Rousseau.
Nos Estados Unidos muitos espectadores sentiram-se ofendidos, acusando Lars von Trier de antiamericano. O fato de ele jamais ter visitado os Estados Unidos e de fotografias do período da depressão e de pessoas miseráveis estadunidenses serem usadas durante os créditos finais, ao som da música Young Americans de David Bowie, não depuseram a seu favor.
Mas Dogville poderia ser uma cidade em qualquer lugar, em qualquer época.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dogville
Cenas de "DOGVILLE" (2003, dir. Lars von Trier)
Fonte: http://youtu.be/klTPPI_Xprg
Os Irmãos Campana (Humberto Campana, Rio Claro, 17 de março de 1953, e Fernando Campana, Brotas, 19 de maio de 1961) são respectivamente, formado em Direito pela Universidade de São Paulo, e seu irmão em Arquitetura pelo Unicentro Belas Artes de São Paulo.
Hoje possuem um reconhecimento internacional por seus trabalhos de Design-Arte. Onde, a partir de elementos do cotidiano ou simplesmente produtos sem nenhum valor, são transformados em peças de caráter extremamente artísticos, com uma linguagem única e de uso possível.
Profissionais que despertam o interesse internacional, são os uns dos poucos brasileiros com peças no acervo do MoMA, em Nova Iorque.
http://www.vemprabrotas.com.br/pcastro5/campanas/campanas.htm
Entrevista com os irmãos Campana
http://youtu.be/LoRtvbznH-8
Jum Nakao.
Jum Nakao (São Paulo, 1966) é um estilista brasileiro.
Estudou engenharia eletrônica e artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). A formação em moda veio em cursos no CIT (Centro Industrial Têxtil), onde aprendeu com professores como Marie Ruckie, Vera Lígia e Alba Noschese
JUM NAKAO - PROCESSO DE CRIAÇÃO
http://youtu.be/TuikQFWy3U0
Jum Nakao Desfile
http://youtu.be/iEuTgRiOKzQ
Memória Afetiva de Um Amor Esquecido é baseado em filme
Os Dezequilibrados. Memória afetiva de um amor esquecido, 2008. Direção: Ivan Sugahara. Dramaturgia: Rosyane Trotta. Elenco:
Ângela Câmara, Cristina Flores, José Karini e Saulo Rodrigues. Participação em vídeo: Letícia Isnard.
O espetáculo Memória Afetiva de Um Amor Esquecido é a primeira peça a ter os ingressos esgotados. Baseado no filme "Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças", discute a superficialidade e a futilidade das relações deste nosso estranho mundo pós-moderno, no qual as pessoas sentem medo de se envolverem e de sofrerem, buscando apenas o prazer nos relacionamentos, o fugaz, o momentâneo.
O texto conta a história de um jovem que, deprimido por não conseguir suportar o rompimento de uma relação amorosa, procura uma clínica especializada em soluções instantâneas, para apagar da memória sua ex-namorada. O grupo radicaliza a mistura das linguagens teatral e cinematográfica e explora as possibilidades de espaços alternativos, visando a recolocação espacial da cena e repensando a posição do público através da proximidade e interatividade com o mesmo. O espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell de melhor direção e atriz (Cristina Flores) em 2008.
Trailler - Memória Afetiva de um Amor Esquecido.
http://youtu.be/_IxOEvIs5ck
SIN SANGRE
Sin Sangre é um drama chileno
O espetáculo Sin Sangre funde as linguagens do teatro e do cinema para contar uma emocionante história humana sobre a reconstrução da memória e o perdão, em que a vingança se encaminha para o amor e a guerra pede paz. A tranquilidade de Mato Rujo é interrompida pela chegada de três homens armados, que cercam a casa de Manuel Roca e o ameaçam.
Encurralado, ele esconde sua filha pequena embaixo das tábuas do piso. Manuel e seu filho de 12 anos são assassinados pelos pistoleiros, que buscam justiça por meio da vingança. O pistoleiro mais jovem encontra a menina escondida, mas é incapaz de delatar-la e vai embora. Cinquenta anos depois, a menina encontra o pistoleiro. Ele sabe que chegou a sua hora.
Na montagem Sin Sangre, usam projeções de vídeo digital que ambientam os atores e interagem com eles. A história, de uma criança que é poupada da morte quando sua família é assassinada e que, já adulta, vai ao encontro do homem que a salvou, é do livro homônimo do italiano Alessandro Baricco. "No começo custou para adquirir esse ritmo, sintetizar o gesto. Mas depois começamos a compreender a pulsação da obra e tudo se tornou fluido. Descobrimos como navegar em nosso ofício sem perder o equilíbrio", diz Zagal.
Segundo o crítico Pedro Labra, o desafio da companhia, quando tenta fundir a linguagem de teatro e a de cinema para contar uma história, está em manter a intensidade emocional sem usar os primeiros planos, tão comuns na tela. "Sem a aproximação visual que o cinema demanda, sempre há o risco de esfriamento." Para Zagal, entretanto, tal estranhamento pode ser considerado uma resistência ao novo. "Narramos uma história com ferramentas novas, não nos interessa seguir pelo caminho já deixado. Jamais atuei da forma como essa obra hoje me pede", diz. E Zagal não está só em sua defesa. A peça, que poderá ser vista em Curitiba e São Paulo em março, já ganhou a plateia de diversos países, como Coreia e Bélgica, bem como a admiração do diretor do festival de Edimburgo, Jonathan Mills. Ele foi ao Chile vê-la e se tornou um dos coprodutores da próxima obra da companhia, que será a segunda etapa da trilogia iniciada com Sin Sangre, prevista para estrear em 2010 no próprio festival escocês. "Sin Sangre não tem humor, é uma tragédia. Já esta segunda buscará a energia do estar vivo, do 'quem sou eu no presente' ", adianta Zagal. "Desta vez trabalharemos para ver o público saindo do teatro com um sorriso nos lábios, e uma pequena lágrima de emoção."
Sin sangre. Temporada Alta 2010
FONTE; http://youtu.be/1OiHr54xygE
Dogville é um filme lançado em 2003 e dirigido por Lars von Trier, estrelando Nicole Kidman e Paul Bettany entre outros. Este filme faz parte da trilogia "E.U.A. Terra de Oportunidades" tendo como sequência Manderlay (2005) e Washington (planejado inicialmente para 2007, atualmente sem data prevista).Trata-se de uma co-produção dos países Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Reino Unido, França, Alemanha e Países Baixos.O filme é dividido em 10 partes - cada uma com créditos e uma introdução narrada -, sendo 1 prólogo e 9 capítulos. A trama acontece em um único local, uma cidade pequena dos Estados Unidos chamada "Dogville", situada no fim de uma estrada que vai até as Montanhas Rochosas, na época da grande depressão estadunidense.
O filme começa com uma tomada de cima para baixo, onde pode-se ver o desenho da cidade (com as marcações dos espaços das casas desenhados no chão). Essas tomadas perpendiculares repetir-se-ão em diversas cenas, sendo marcos importantes da narrativa. O narrador vai então apresentando os personagens um por um ("todos têm pequenos defeitos facilmente perdoáveis") e contando suas histórias.Entre os moradores de Dogville, o personagem principal é Thomas Edison Jr., um escritor que para protelar o dia em que terá que começar a escrever seu livro se ocupa em pregar sermões a toda a comunidade sobre rearmamento moral. Ele está procurando um exemplo para servir de ilustração às suas teorias e assim comprovar que os moradores não são capazes de aceitar novas situações, quando é interrompido por barulhos de tiros a distância.Nesse momento entra Grace, uma bela jovem com um vestido que denota sua origem de família rica. Ela diz a Tom que está fugindo de um gângster e Tom, percebendo nela o exemplo perfeito para sua palestra, lhe dá cobertura. Os moradores de Dogville a princípio recusam-se a aceitá-la, e Tom propõe que dêem a Grace um prazo de duas semanas, para então decidirem sua sorte. Grace, em compensação, deve ajudá-los em tarefas cotidianas. Apesar de não admitirem, eles jamais dão coisa alguma, não há generosidade ou aceitação: há um sistema de trocas e é esse sistema de compensações (o quid pro quo) que, aliado à personalidade de perdoar de Grace (seu altruísmo), anuncia a tragédia. Os moradores relutam até mesmo em aceitar a ajuda de Grace, mas acabam aceitando e Grace rapidamente começa a passar seus dias ocupada em fazer pequenas coisas que "não são necessárias", mas que os moradores "generosamente permitem" que ela faça. E assim passam-se as semanas, os moradores aceitam que Grace fique na vila, como mais um favor que ela ficará devendo a eles. Tom confessa a Grace que gosta dela e é correspondido, mas ele não assume publicamente seu amor perante Dogville, mantendo o romance deles secreto e mantendo Grace na condição de estrangeira. A aparente tranqüilidade da situação começa a mudar no dia da Independência, quando a cidadezinha recebe a visita da polícia, que afixa um cartaz onde Grace é apontada como procurada. Os moradores de Dogville consideram ainda maior a dívida de Grace com eles, fazendo cada vez mais exigências, que diante da permissividade e comportamento passivo de Grace, rapidamente transformam-se em abusos. Uma cena forte do filme é quando Chuck a estupra, como "pagamento" para que ele não a denunciasse às autoridades. Aqui a função do cenário vazio é clara: a ausência de paredes dá a nítida percepção de que todos sabem o que se passa, mas fingem não ver. A comunicação também não parece ser possível para os moradores de Dogville. O que eles falam passa longe de significar o que realmente querem dizer. Quando questionados são evasivos, mudam de assunto ou simplesmente respondem outra coisa. Chuck fala de colheita de maçãs quando está querendo abusar sexualmente de Grace, e Ma Ginger reprime-a quando ela passa entre os arbustos, com argumentos que simplesmente não correspondem àquilo que ela diz. Desse ponto em diante a constante dívida de Grace com a comunidade só cresce e ela torna-se uma escrava não só de trabalho físico como sexual. Em pouco tempo a tratam como uma escrava, que puxa um arado, e ainda sofre abusos sexuais. Somente Tom, sem capacidade de tomar qualquer atitude, não a viola. E é após ela o rejeitar, que ele decide dar um basta nessa pequena metáfora ilustrativa que ela representa, chamando o gângster que a procurava. Nesse momento revela-se que Grace não está sendo ameaçada por eles, mas é a filha do chefe maior. Quando Grace entra no carro o diretor vai preparando a platéia para a ideia de que haverá um massacre. O final catártico faz com que Dogville apresente uma estrutura narrativa herdeira das tragédias gregas, onde a platéia era levada a uma situação de tensão insuportável e liberava a adrenalina contida no final trágico. Desde sempre, quase toda obra de arte é, em última instância, um retrato do ser humano. Lars von Trier faz um retrato de pessoas cruéis, mesquinhas, egoístas e arrogantes. Tom é um covarde, incapaz de assumir responsabilidade alguma (o drama de Grace começa no dia da Independência, quando ele não assume o romance com ela). Os habitantes da vila são sers humanos que se comportam de forma instintiva, guiados pelas suas necessidades físicas e seus próprios interesses. Grace jamais foi cativa ou submissa, nunca sentiu real misericórdia e sim desprezo. Se ela realmente quisesse, poderia simplesmente ir embora. Os verdadeiros prisioneiros são os moradores.
Dogville é a antítese do bom selvagem de Rousseau.
Nos Estados Unidos muitos espectadores sentiram-se ofendidos, acusando Lars von Trier de antiamericano. O fato de ele jamais ter visitado os Estados Unidos e de fotografias do período da depressão e de pessoas miseráveis estadunidenses serem usadas durante os créditos finais, ao som da música Young Americans de David Bowie, não depuseram a seu favor.
Mas Dogville poderia ser uma cidade em qualquer lugar, em qualquer época.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dogville
Cenas de "DOGVILLE" (2003, dir. Lars von Trier)
Fonte: http://youtu.be/klTPPI_Xprg
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