Murray SchaferPaisagem Sonora e Ecologia SonoraO conceito de paisagens sonoras e ecologia sonora surgiu no final dos anos 60 com pesquisadores da Simon Fraser University no Canadá. Liderados por Murray Schafer, este grupo de pesquisa formou o World Soudscape Project (WSP) com a finalidade inicial de estudar o meio ambiente sonoro. Mas a filosofia de estar atento ao som natural de ambientes já encontrava adeptos entre alguns músicos do século 20 e está presente na obra de vários compositores contemporâneos.
Na década de 50, John Cage, o "filósofo da música" já provocava os ouvintes a escutar os silêncio nas composições e sentir os ruídos espontâneos nos ambientes. Cage utilizava o acaso como parte de suas composições, sem determinar previamente as suas obras e dizia que "a música são os sons a nossa volta", ampliando as concepções e as possibilidades da música. A partir desta época, começaram a surgir criações com intervencionismo na rua e obras de compositores influenciados pela polifonia urbana e os sons da cidade.
No final dos anos 60, Murray Shafer escreveu o livro "O Ouvido Pensante", onde aponta que todos os sons fazem parte das possibilidades de abrangência da música, propondo uma "escuta pensante" para tornar os ambientes sonoros menos poluídos e mais agradáveis. Segundo Shafer, o primeiro passo para ser um ouvinte "ecologicamente correto" é "aprender a ouvir a paisagem sonora como uma composição musical".
O termo "soundscape" foi criado por Schafer adaptando a palavra "landscape" (paisagens) para um sentido relacionado ao som. No Brasil, a tradução de "soundscape" para "paisagens sonoras" foi feita na versão em português do livro "O Ouvido Pensante", publicado em 1997. Já o termo "ecologia sonora" ou "ecologia acústica" se refere a ciência que estuda os efeitos do ambiente acústico e das paisagens sonoras, com as conseqüências físicas e comportamentais nos seres vivos
Este ideal de aguçar os sentidos da audição para a percepção de sons, que na maioria das vezes passam despercebidos é a base dos conceitos de ecologia e paisagens sonora. As pessoas estão rodeadas de várias freqüências sônicas, mergulhadas em um mar de sons, seja nas cidades (com os ruídos de pessoas conversando, carros, aparelhos eletrônicos e etc.) ou no campo (com os sons da natureza, como por exemplo o canto dos pássaros, vento e água).
A poluição sonora das grandes cidades com ruídos em alto volume, apesar de fazer parte da paisagem sonora, impede que as pessoas ouçam as freqüências mais baixas e se torna uma grande inimiga da percepção auditiva por saturar os ouvidos. A poluição sonora da sociedade urbana e industrial muitas vezes "esconde" os sons mais sensíveis dos ambientes.
Este incentivo a percepção dos sons ambientes desencadeou o processo criativo de compositores com as obras chamadas de paisagem sonoras. "São composições que não tem um sentido de música, estão mais para paisagens", diz o coordenador do Nics Jônatas Manzolli. Para exemplificar este tipo de som, ele cita os sons produzidos pela Ada, o computador que interage com as pessoas na Expo.02 na Suíça. Outro exemplo de paisagem sonora entre os projetos do Nics é os sons produzidos pelo Roboser, um robô compositor.
Ao encarar a recepção do som como uma experiência sensorial e que cada som tem um significado, uma identificação que remete as sensações guardadas no inconsciente, mudou-se o paradigma da criação musical. Este conceito de paisagens é diferente do processo da música composta nota por nota, para expressar um sentimento do compositor. A paisagem sonora existe no ambiente e pode ser manipulada e modificada.
Grupos de Pesquisa
No final do ano de 1970 foi criado na universidade Simon Fraser (www.sfu.ca) no Canadá o World Soudscape Project (WSP) que desenvolveu várias pesquisas e atividades criativas para composições de paisagens sonoras. O objetivo do grupo era estudar o meio ambiente sonoro e as sua influência na vida das pessoas, para poder construir novas paisagens agradáveis através do som. O projeto foi coordenado por Murray Schafer e teve a participação dos pesquisadores Bruce Davis, Peter Huse, Barry Truax e Howard Broomfield.
O WSP motivou músicos, professores e compositores com esta nova visão sobre a escuta musical. Uma das primeiras publicações do grupo foi um estudo sobre o ambiente sonoro no Canadá, chamado "The Vancouver Soudscape". Em 1973, Bruce Davis e Peter Huse atravessaram o Canadá fazendo gravações ambientais. Em 1975, Schafer recolheu sons de cinco vilas na Suécia, Alemanha, Itália, França e Escócia. Este trabalho rendeu mais de 300 fitas gravadas na Europa e no Canadá e o lançamento de dois livros: "European Sound Diary" e "Five Village Soundscapes". Mas é no livro "The Tuning of the World", publicado em 1977, que Schafer define amplamente o conceito de paisagens sonoras.
O pesquisador Murray Schafer se dedicou a estudar as paisagens sonoras para a composição musical e se tornou um crítico da poluição sonora da sociedade industrializada. Hoje ele vive no campo em Ontario. O remanescente do WSP que continua na Simon Fraser University é Barry Truax. Ele faz pesquisas sobre comunicação acústica e composição eletroacústica. Truax é especialista em síntese de música computacional.
Com os novos meios de comunicação, da Internet, da eletrônica e o desenvolvimento da tecnologia dos computadores, existe uma nova comunidade de músicos, cientistas e engenheiros que estão trabalhando com novos conceitos de ambientes sonoros. O campo da ecologia sonora também atinge vários setores, multidisciplinarmente, com estudos nas áreas de ciências, geografia, história, tecnologia, entre outras. "A idéia central da ecologia sonora pode trazer benefícios a uma sociedade sob o impacto da tecnologia", afirma Truax.
A partir do WSP, outros grupos foram criados para o estudo e a troca de informações sobre os estudos na área de soundsacapes. Em 1993 foi criado o World Forum or Acoustic Ecology (WFAE), que é uma associação internacional com pessoas e organizações afiliadas. Entre os membros da WFAE (www.afae.org.au) estão representantes de várias áreas de pesquisa interessados em estudar os aspectos sociais, culturais e ecológicos do meio ambiente sonoro.
Estudos no Brasil
São poucos os pesquisadores brasileiros que se dedicam exclusivamente ao estudo das paisagens sonora e da ecologia sonora. O pesquisador André Luiz Gonçalves de Oliveira, em sua tese de mestrado na Unesp, dedicou vários capítulos para as análises sobre a ciência da ecologia acústica. Em outra tese de mestrado, na PUC de São Paulo, a pesquisadora Fátima Carneiro dos Santos analisa os sons da rua e as suas diferentes possibilidades de percepções, através de gravação feitas em centros urbanos.
O pesquisador André Gonçalves de Oliveira é graduado em música e mestre em filosofia na disciplina Ciência Cognitiva e Filosofia da Mente, na qual defendeu a tese na Unesp. Em parte de sua dissertação, ele faz uma análise da abordagem ecológica do reconhecimento de padrões sonoros. Para isso, ele explica as noções dos principais teóricos sobre o assunto e os conceitos de meio ambiente e do meio físico e as recepções sonoras através do aparelho auditivo e do cérebro. "A apresentação da noção de sistema perceptivo é de fundamental importância para o entendimento da explicação ecológica para a tarefa do reconhecimento de padrões sonoros", afirma André Oliveira em sua dissertação.
Este conceito do sistema de percepção é diferente da noção de órgão sensorial que recebe passivamente as informações para serem codificadas, mas sim como um resultado de detecção, seleção e identificação das mensagens recebidas do meio ambiente. Desta forma se amplia a noção de "órgão de sentidos" para "sistemas perceptuais". Para o pesquisador, "entender o ouvido como parte de um sistema perceptual faz toda a diferença para o estudo da percepção".
Entre outros assuntos da ciência da ecologia sonora, André Oliveira analisou os conceitos centrais para a abordagem ecológica e sobre a aquisição de informações e as atividades do sistema perceptual em ambientes específicos. O pesquisador também se referiu as relações entre os aspectos vindos da abordagem ecológica de reconhecimento de padrões sonoros, aplicados na composição musical e o desenvolvimento de suas técnicas e procedimentos.
Já a pesquisadora Fátima Carneiro dos Santos, em sua tese de Comunicação e Semiótica na PUC de São Paulo, analisou a "música urbana", Sua dissertação foi publicada no livro "Por uma Escuta Nômade: a Música dos Sons da Rua", editado pela Educ e a Fapesp. A autora fez uma análise sobre o som gravado em três centros urbanos, que está em um CD que acompanha o livro. A primeira gravação foi feita na avenida Paulista em São Paulo, a segunda no centro de Londrina no Paraná e a última na praça central da cidade de Patos, em Minas Gerais.
Após a apresentação destas gravações a pesquisadora apresenta exercícios de escutas, filtrando as ondas sonoras das gravações, ressaltando as diferenças de intensidade e jogos de panorâmicas, transformando em sons estéreos e remixando as faixas. O último exercício apresenta uma outra possibilidade da escuta da paisagem sonora, através de filtros que se baseiam na estrutura formal da voz, aproximando a escuta da paisagem sonora com a escuta da musical tradicional.
Em sua pesquisa, Fátima Carneiro faz uma análise histórica dos conceitos de percepção musical e paisagens sonoras citando vários autores e compositores. E sua tese, ela convida os ouvintes a perceber os múltiplos sons das paisagens sonoras urbanas. "O exercício de escutar a paisagem sonora a partir de uma "escuta nômade" possibilita o desenvolvimento de uma escuta que compõe, que inventa: uma escuta que percorre diferentes caminhos, despropositadamente, desvelando a todo o momento escutas possíveis, que escapam àquelas predeterminadas pelo hábito", escreve Fátima
Fonte: http://gondosnovospaulistanos.blogspot.com/p/textos.html
CAPOEIRAFonte: http://www.edukbr.com.br/artemanhas/capoeira.asp
A Capoeira surgiu na época da escravidão e a tradição nos mostra que é genuinamente brasileira, pois existem lutas na África, mas nenhuma semelhante à nossa. Antigamente, a capoeira era relacionada à malandragem e religiões. Era considerada uma forma de luta disfarçada em dança e ritual, onde associavam a luta às músicas e ritmos de candomblé, religião dos negros escravos. Capoeira era o nome dado aos locais de mato baixo, entre árvores, onde os escravos fugitivos treinavam este tipo de luta e daí o nome. Esta prática foi levada para as ruas após a abolição da escravatura, quando foi proibida por lei e revogada somente em 1930, começando a ser praticada dentro de recintos fechados.
Atualmente, a Capoeira é entendida como arte. É um jogo de movimentos entre duas pessoas com características de luta e, portanto, não se usa dizer mais "lutar capoeira" e sim "jogar capoeira". Pode também, ser considerada como arte marcial brasileira com ritmos e instrumentos.
Nas academias, os estágios dos praticantes da capoeira são caracterizados por cordões. No início, o aluno não tem corda, mas após 7 ou 8 meses de prática, ocorre o "batismo", festa onde se reúnem capoeiristas e mestres. O aluno deve "jogar" com o mestre e levar "um tombo" do mesmo, ganhando assim sua primeira corda que é a corda verde, tornando-se um capoeirista. As próximas cordas são amarela, azul, verde-amarela, azul-verde, azul-amarela. Para chegar a professor, o capoeirista deve ter pelo menos 12 anos de prática; contramestre, 17 anos de prática e mestre, 23 anos. Os capoeiristas jogam no meio de uma roda feita pelos próprios e o mais interessante é que, na "roda", várias movimentações diferentes (- Ginga - é um movimento exclusivo da capoeira que desenvolve a verdadeira arte da luta. Com malícia, a ginga permite ao capoeirista enganar o adversário, ocultando os golpes e atacando de surpresa.
- Golpes básicos - negativa, cocorinha, rolê, aú.
- Golpes mais conhecidos - queixada, armada, martelo, meia-lua de frente, chapa lateral, chapa de costas, chapa giratória, bênção, meia-lua de compasso, gancho, ponteira, chapéu de couro e martelo giratório.
- Golpes acrobáticos - macaquinho, aú-galeio, parafuso, macaquinho arrependido, pião de mão, quebra de rim, aú-olímpico, aú-torcido, chibata.), acontecem seguidas sem que ninguém fale nada, apenas o toque do gunga, um berimbau tocado pelo capoeirista mais antigo da roda, determina e comanda todo o "jogo". Os outros instrumentos que ajudam a dar o ritmo cadenciado ao "jogo" são atabaque, pandeiro, agogô, reco-reco e três berimbaus, além de todos cantarem juntos.
A Capoeira pode ser dividida em duas linhas: Angola e Regional.
A Capoeira de Angola é a capoeira mais antiga, clássica, tendo sido criada pelo Mestre Pastinha. É jogada num ritmo mais lento. Os negros treinavam a luta em segredo nas senzalas, fingindo ser esta uma dança executada ao som do berimbau. Os golpes praticados durante a luta imitam os movimentos dos animais.
A Capoeira Regional foi criada pelo Mestre Bimba, entre as décadas de 30 e 40, é a luta que mistura os golpes da capoeira de angola com os golpes de lutas regionais ao som do batuque. Para esta modalidade, o Mestre Bimba criou um código de ética e instituiu o uniforme branco. A graduação consiste na troca de cordões que têm a cor da bandeira brasileira: verde, amarelo, azul e branco.
Vídeo inédito do Mestre Pastinha jogando com seus alunos na década de 50 na Bahia Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=WmlivXc2eAQ&feature=related
Mestre Pastinha e Mestre Bimba (A História da Capoeira)
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=TuS-Ixi8jbI&feature=related
Roda Oficina Capoeira Angola Mestre Pernalonga
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=epOcA6LE8aA
Capoeira Angola game
http://www.youtube.com/watch?v=eF9lfOAWTxo&feature=related
Na década de 50, John Cage, o "filósofo da música" já provocava os ouvintes a escutar os silêncio nas composições e sentir os ruídos espontâneos nos ambientes. Cage utilizava o acaso como parte de suas composições, sem determinar previamente as suas obras e dizia que "a música são os sons a nossa volta", ampliando as concepções e as possibilidades da música. A partir desta época, começaram a surgir criações com intervencionismo na rua e obras de compositores influenciados pela polifonia urbana e os sons da cidade.
No final dos anos 60, Murray Shafer escreveu o livro "O Ouvido Pensante", onde aponta que todos os sons fazem parte das possibilidades de abrangência da música, propondo uma "escuta pensante" para tornar os ambientes sonoros menos poluídos e mais agradáveis. Segundo Shafer, o primeiro passo para ser um ouvinte "ecologicamente correto" é "aprender a ouvir a paisagem sonora como uma composição musical".
O termo "soundscape" foi criado por Schafer adaptando a palavra "landscape" (paisagens) para um sentido relacionado ao som. No Brasil, a tradução de "soundscape" para "paisagens sonoras" foi feita na versão em português do livro "O Ouvido Pensante", publicado em 1997. Já o termo "ecologia sonora" ou "ecologia acústica" se refere a ciência que estuda os efeitos do ambiente acústico e das paisagens sonoras, com as conseqüências físicas e comportamentais nos seres vivos
Este ideal de aguçar os sentidos da audição para a percepção de sons, que na maioria das vezes passam despercebidos é a base dos conceitos de ecologia e paisagens sonora. As pessoas estão rodeadas de várias freqüências sônicas, mergulhadas em um mar de sons, seja nas cidades (com os ruídos de pessoas conversando, carros, aparelhos eletrônicos e etc.) ou no campo (com os sons da natureza, como por exemplo o canto dos pássaros, vento e água).
A poluição sonora das grandes cidades com ruídos em alto volume, apesar de fazer parte da paisagem sonora, impede que as pessoas ouçam as freqüências mais baixas e se torna uma grande inimiga da percepção auditiva por saturar os ouvidos. A poluição sonora da sociedade urbana e industrial muitas vezes "esconde" os sons mais sensíveis dos ambientes.
Este incentivo a percepção dos sons ambientes desencadeou o processo criativo de compositores com as obras chamadas de paisagem sonoras. "São composições que não tem um sentido de música, estão mais para paisagens", diz o coordenador do Nics Jônatas Manzolli. Para exemplificar este tipo de som, ele cita os sons produzidos pela Ada, o computador que interage com as pessoas na Expo.02 na Suíça. Outro exemplo de paisagem sonora entre os projetos do Nics é os sons produzidos pelo Roboser, um robô compositor.
Ao encarar a recepção do som como uma experiência sensorial e que cada som tem um significado, uma identificação que remete as sensações guardadas no inconsciente, mudou-se o paradigma da criação musical. Este conceito de paisagens é diferente do processo da música composta nota por nota, para expressar um sentimento do compositor. A paisagem sonora existe no ambiente e pode ser manipulada e modificada.
Grupos de Pesquisa
No final do ano de 1970 foi criado na universidade Simon Fraser (www.sfu.ca) no Canadá o World Soudscape Project (WSP) que desenvolveu várias pesquisas e atividades criativas para composições de paisagens sonoras. O objetivo do grupo era estudar o meio ambiente sonoro e as sua influência na vida das pessoas, para poder construir novas paisagens agradáveis através do som. O projeto foi coordenado por Murray Schafer e teve a participação dos pesquisadores Bruce Davis, Peter Huse, Barry Truax e Howard Broomfield.
O WSP motivou músicos, professores e compositores com esta nova visão sobre a escuta musical. Uma das primeiras publicações do grupo foi um estudo sobre o ambiente sonoro no Canadá, chamado "The Vancouver Soudscape". Em 1973, Bruce Davis e Peter Huse atravessaram o Canadá fazendo gravações ambientais. Em 1975, Schafer recolheu sons de cinco vilas na Suécia, Alemanha, Itália, França e Escócia. Este trabalho rendeu mais de 300 fitas gravadas na Europa e no Canadá e o lançamento de dois livros: "European Sound Diary" e "Five Village Soundscapes". Mas é no livro "The Tuning of the World", publicado em 1977, que Schafer define amplamente o conceito de paisagens sonoras.
O pesquisador Murray Schafer se dedicou a estudar as paisagens sonoras para a composição musical e se tornou um crítico da poluição sonora da sociedade industrializada. Hoje ele vive no campo em Ontario. O remanescente do WSP que continua na Simon Fraser University é Barry Truax. Ele faz pesquisas sobre comunicação acústica e composição eletroacústica. Truax é especialista em síntese de música computacional.
Com os novos meios de comunicação, da Internet, da eletrônica e o desenvolvimento da tecnologia dos computadores, existe uma nova comunidade de músicos, cientistas e engenheiros que estão trabalhando com novos conceitos de ambientes sonoros. O campo da ecologia sonora também atinge vários setores, multidisciplinarmente, com estudos nas áreas de ciências, geografia, história, tecnologia, entre outras. "A idéia central da ecologia sonora pode trazer benefícios a uma sociedade sob o impacto da tecnologia", afirma Truax.
A partir do WSP, outros grupos foram criados para o estudo e a troca de informações sobre os estudos na área de soundsacapes. Em 1993 foi criado o World Forum or Acoustic Ecology (WFAE), que é uma associação internacional com pessoas e organizações afiliadas. Entre os membros da WFAE (www.afae.org.au) estão representantes de várias áreas de pesquisa interessados em estudar os aspectos sociais, culturais e ecológicos do meio ambiente sonoro.
Estudos no Brasil
São poucos os pesquisadores brasileiros que se dedicam exclusivamente ao estudo das paisagens sonora e da ecologia sonora. O pesquisador André Luiz Gonçalves de Oliveira, em sua tese de mestrado na Unesp, dedicou vários capítulos para as análises sobre a ciência da ecologia acústica. Em outra tese de mestrado, na PUC de São Paulo, a pesquisadora Fátima Carneiro dos Santos analisa os sons da rua e as suas diferentes possibilidades de percepções, através de gravação feitas em centros urbanos.
O pesquisador André Gonçalves de Oliveira é graduado em música e mestre em filosofia na disciplina Ciência Cognitiva e Filosofia da Mente, na qual defendeu a tese na Unesp. Em parte de sua dissertação, ele faz uma análise da abordagem ecológica do reconhecimento de padrões sonoros. Para isso, ele explica as noções dos principais teóricos sobre o assunto e os conceitos de meio ambiente e do meio físico e as recepções sonoras através do aparelho auditivo e do cérebro. "A apresentação da noção de sistema perceptivo é de fundamental importância para o entendimento da explicação ecológica para a tarefa do reconhecimento de padrões sonoros", afirma André Oliveira em sua dissertação.
Este conceito do sistema de percepção é diferente da noção de órgão sensorial que recebe passivamente as informações para serem codificadas, mas sim como um resultado de detecção, seleção e identificação das mensagens recebidas do meio ambiente. Desta forma se amplia a noção de "órgão de sentidos" para "sistemas perceptuais". Para o pesquisador, "entender o ouvido como parte de um sistema perceptual faz toda a diferença para o estudo da percepção".
Entre outros assuntos da ciência da ecologia sonora, André Oliveira analisou os conceitos centrais para a abordagem ecológica e sobre a aquisição de informações e as atividades do sistema perceptual em ambientes específicos. O pesquisador também se referiu as relações entre os aspectos vindos da abordagem ecológica de reconhecimento de padrões sonoros, aplicados na composição musical e o desenvolvimento de suas técnicas e procedimentos.
Já a pesquisadora Fátima Carneiro dos Santos, em sua tese de Comunicação e Semiótica na PUC de São Paulo, analisou a "música urbana", Sua dissertação foi publicada no livro "Por uma Escuta Nômade: a Música dos Sons da Rua", editado pela Educ e a Fapesp. A autora fez uma análise sobre o som gravado em três centros urbanos, que está em um CD que acompanha o livro. A primeira gravação foi feita na avenida Paulista em São Paulo, a segunda no centro de Londrina no Paraná e a última na praça central da cidade de Patos, em Minas Gerais.
Após a apresentação destas gravações a pesquisadora apresenta exercícios de escutas, filtrando as ondas sonoras das gravações, ressaltando as diferenças de intensidade e jogos de panorâmicas, transformando em sons estéreos e remixando as faixas. O último exercício apresenta uma outra possibilidade da escuta da paisagem sonora, através de filtros que se baseiam na estrutura formal da voz, aproximando a escuta da paisagem sonora com a escuta da musical tradicional.
Em sua pesquisa, Fátima Carneiro faz uma análise histórica dos conceitos de percepção musical e paisagens sonoras citando vários autores e compositores. E sua tese, ela convida os ouvintes a perceber os múltiplos sons das paisagens sonoras urbanas. "O exercício de escutar a paisagem sonora a partir de uma "escuta nômade" possibilita o desenvolvimento de uma escuta que compõe, que inventa: uma escuta que percorre diferentes caminhos, despropositadamente, desvelando a todo o momento escutas possíveis, que escapam àquelas predeterminadas pelo hábito", escreve Fátima
Fonte: http://gondosnovospaulistanos.blogspot.com/p/textos.html
CAPOEIRAFonte: http://www.edukbr.com.br/artemanhas/capoeira.asp
A Capoeira surgiu na época da escravidão e a tradição nos mostra que é genuinamente brasileira, pois existem lutas na África, mas nenhuma semelhante à nossa. Antigamente, a capoeira era relacionada à malandragem e religiões. Era considerada uma forma de luta disfarçada em dança e ritual, onde associavam a luta às músicas e ritmos de candomblé, religião dos negros escravos. Capoeira era o nome dado aos locais de mato baixo, entre árvores, onde os escravos fugitivos treinavam este tipo de luta e daí o nome. Esta prática foi levada para as ruas após a abolição da escravatura, quando foi proibida por lei e revogada somente em 1930, começando a ser praticada dentro de recintos fechados.
Atualmente, a Capoeira é entendida como arte. É um jogo de movimentos entre duas pessoas com características de luta e, portanto, não se usa dizer mais "lutar capoeira" e sim "jogar capoeira". Pode também, ser considerada como arte marcial brasileira com ritmos e instrumentos.
Nas academias, os estágios dos praticantes da capoeira são caracterizados por cordões. No início, o aluno não tem corda, mas após 7 ou 8 meses de prática, ocorre o "batismo", festa onde se reúnem capoeiristas e mestres. O aluno deve "jogar" com o mestre e levar "um tombo" do mesmo, ganhando assim sua primeira corda que é a corda verde, tornando-se um capoeirista. As próximas cordas são amarela, azul, verde-amarela, azul-verde, azul-amarela. Para chegar a professor, o capoeirista deve ter pelo menos 12 anos de prática; contramestre, 17 anos de prática e mestre, 23 anos. Os capoeiristas jogam no meio de uma roda feita pelos próprios e o mais interessante é que, na "roda", várias movimentações diferentes (- Ginga - é um movimento exclusivo da capoeira que desenvolve a verdadeira arte da luta. Com malícia, a ginga permite ao capoeirista enganar o adversário, ocultando os golpes e atacando de surpresa.
- Golpes básicos - negativa, cocorinha, rolê, aú.
- Golpes mais conhecidos - queixada, armada, martelo, meia-lua de frente, chapa lateral, chapa de costas, chapa giratória, bênção, meia-lua de compasso, gancho, ponteira, chapéu de couro e martelo giratório.
- Golpes acrobáticos - macaquinho, aú-galeio, parafuso, macaquinho arrependido, pião de mão, quebra de rim, aú-olímpico, aú-torcido, chibata.), acontecem seguidas sem que ninguém fale nada, apenas o toque do gunga, um berimbau tocado pelo capoeirista mais antigo da roda, determina e comanda todo o "jogo". Os outros instrumentos que ajudam a dar o ritmo cadenciado ao "jogo" são atabaque, pandeiro, agogô, reco-reco e três berimbaus, além de todos cantarem juntos.
A Capoeira pode ser dividida em duas linhas: Angola e Regional.
A Capoeira de Angola é a capoeira mais antiga, clássica, tendo sido criada pelo Mestre Pastinha. É jogada num ritmo mais lento. Os negros treinavam a luta em segredo nas senzalas, fingindo ser esta uma dança executada ao som do berimbau. Os golpes praticados durante a luta imitam os movimentos dos animais.
A Capoeira Regional foi criada pelo Mestre Bimba, entre as décadas de 30 e 40, é a luta que mistura os golpes da capoeira de angola com os golpes de lutas regionais ao som do batuque. Para esta modalidade, o Mestre Bimba criou um código de ética e instituiu o uniforme branco. A graduação consiste na troca de cordões que têm a cor da bandeira brasileira: verde, amarelo, azul e branco.
Vídeo inédito do Mestre Pastinha jogando com seus alunos na década de 50 na Bahia Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=WmlivXc2eAQ&feature=related
Mestre Pastinha e Mestre Bimba (A História da Capoeira)
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=TuS-Ixi8jbI&feature=related
Roda Oficina Capoeira Angola Mestre Pernalonga
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=epOcA6LE8aA
Capoeira Angola game
http://www.youtube.com/watch?v=eF9lfOAWTxo&feature=related
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