TERRITÓRIOS DA ARTE

9º ANO - 2º BIMESTRE - VOL 1


Instalações de Nuno Ramos.
Em uma atividade inédita, grupos de artistas, estudantes e professores, ligados às artes plásticas e visuais, puderam participar da montagem da nova exposição de Nuno Ramos, no Centro Cultural Banco do Brasil. Eles puderam interagir e observar o processo de criação do artista, revelado na década de 80 e hoje considerado um dos principais artistas brasileiros. Nuno aproveitou a arquitetura histórica do prédio para aprofundar características de seu trabalho - a idéia do abandono, da matéria à espera da morte, e da conseqüente transformação é recorrente em sua obra. Como ele próprio diz, "tenho procurado um núcleo poético na minha obra, fios que liguem tudo, um lugar para as coisas", deixando clara sua paixão pela palavra e pela literatura, que transparecem nas quatro instalações inéditas.
Chuva do lado de dentro do prédio, alvorada banhada em sangue, um rio negro sobre o mármore branco. A tensão, a estranheza e até a comunhão existente nas aparentes contradições tomaram conta do Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, quando Nuno Ramos inaugura “Morte das Casas”, uma exposição com quatro instalações inéditas. Pensadas especialmente para a sede paulistana do CCBB – na data que marca seu 3º aniversário - as peças dialogam com a arquitetura do prédio da Rua Álvares Penteado, erguido em 1901. Jóia do centro histórico da cidade, a antiga sede do Banco do Brasil é um dos melhores exemplos da arquitetura paulistana do início do século XX.
Como vem sendo uma característica em sua carreira, Nuno - um dos maiores artistas brasileiros revelados na década de 80 - toma partido desta arquitetura histórica para aprofundar algumas das características fundamentais de seu trabalho. "Estou chegando à maturidade artística, por isso tenho procurado encontrar um núcleo poético na minha obra, fios que liguem tudo, um lugar para as coisas que eu sempre abordo", conta o artista, que, no CCBB, deixa mais explícita sua paixão antiga pela palavra e pela literatura.
É um poema de Carlos Drummond de Andrade, "Morte das casas de Ouro Preto", que serve de fundo sonoro para a instalação "Morte das casas", que promete ser a de maior impacto da mostra. Nuno vai fazer chover no hall de entrada do prédio. A água vai chegar pela clarabóia, caindo de mais de 20 metros de altura e inundando uma área rebaixada do térreo. Enquanto recebe o impacto desta imagem, o público vai ouvir um coro de vozes masculinas declamando os versos de Drummond ("Sobre o tempo, sobre a taipa/ a chuva escorre. As paredes/ que viram morrer os homens,/que viram fugir o ouro,/que viram finar-se o reino,/ que viram, reviram, viram/ já não vêem/ Também morrem.). Segundo o artista, sua idéia foi criar uma atmosfera de catarse e de alto impacto para servir de cartão de visita para os outros trabalhos. A idéia de abandono, da matéria jogada à deriva e à espera da morte - e, portanto, da transformação - é recorrente na obra de Nuno. E reaparece nesta primeira instalação. "Realmente não pode haver maior sensação de abandono do que a chuva dentro do prédio. Chover do lado de dentro também tem a ver com a conjugação de elementos contraditórios, estranhos, outra marca do meu trabalho", avalia ele.
No Subsolo, a instalação "Alvorada" une palavra, música e cinema. Nuno interrompe o primeiro verso da canção homônima de Cartola e Elton Medeiros e usa a frase "Alvorada lá no morro que..." como mote da obra, que reúne ainda dois vídeos. As paredes da sala circular serão revestidas de areia socada vermelha. A frase aparece em relevo - ora ressaltada em 15 centímetros da superfície, ora rebaixada na mesma medida - numa clara referência a uma inscrição de túmulo. No primeiro vídeo, dividido em três telas de vidro, um carro vermelho anda pelas ruas da periferia de São Paulo com uma caixa de som gritando, a todo vapor: "Alvorada! Alvorada!". No outro filme, em cima de uma laje de casa de subúrbio, homens se sucedem na tentativa de gritar "Alvorada" num megafone. Levam um tiro toda vez que conseguem, caindo de cima do telhado. Neste trabalho, Nuno opõe a crueza e a violência ao lirismo da canção de Cartola e Elton Medeiros, que, não por acaso, foi interrompida antes de dizer palavras doces e cheias de esperança sobre a vida na favela ("Alvorada, lá no morro, que beleza/ Ninguém chora, não há tristeza/ Ninguém sente dissabor”).
O terceiro trabalho é "Cascos". Nuno vai trespassar um casco de barco traineira com outros cascos semelhantes, criando uma espécie de recheio (que ele prefere chamar de "alma") para uma escultura monumental, que vai ser recoberta por areia. Mais uma vez, o artista joga com elementos de um mesmo universo - em vez de atracar na areia, o barco vai ser coberto e praticamente constituído por ela. "Quero deixar pedaços dos cascos à mostra. A sala onde vai estar este trabalho forma uma espécie de 'V'. Numa das pontas vai estar a escultura, na outra um vídeo que a complementa", conta ele. No vídeo, sete atores filmados da cintura para cima declamam um texto escrito pelo próprio artista, ora em maré cheia, ora em maré baixa. A palavra, importante também em "Morte das casas" e "Alvorada", se transforma em elemento fundamental deste trabalho.
A quarta e última peça da mostra é "Choro negro". Nuno criou três formas geométricas de mármore branco ("São como paralelepípedos assimétricos, irregulares", explica ele) e vai pousar sobre elas um sólido negro feito de breu. Depois disso, vai aquecer o mármore nos pontos de contato com o breu, fazendo com que ele escorra sobre a superfície branca e sobre o piso, num choro negro literal. "A forma do mármore faz uma alusão clara a uma memória de túmulo, de lápide. O breu é um material muito moldável, que derrete fácil, e vai chorar sobre este mármore. Esta é a peça mais plástica da mostra, menos relacionada com a palavra e a literatura", diz Nuno.
Nuno Ramos é um artista com um olhar social, que tem como matéria de trabalho não só o mármore, o granito, a terra e o breu, mas também o abandono, a violência e a morte. Esta exposição, formada de instalações, esculturas e vídeos, é uma metáfora contundente do trágico estado de deriva em que se encontra a imensa maioria da sociedade brasileira. Em seu discurso, o artista consegue ser ao mesmo tempo violento e lírico. Seu trabalho atua como um soco no estômago do espectador – que, indignado, chega a vociferar diante do vídeo “Alvorada” ou é transportado para um estado de luto diante da série de três esculturas “Choro Negro”. Mas Nuno Ramos parece, afinal, querer atingir a redenção, quando reproduz com a força das águas a potência da natureza. Chuva de canivete
Fonte: http://www.usp.br/espacoaberto/arquivo/2004/espaco43mai/0cultura


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=3Yfga89p0Do


TEXTO DE PEÇA DE TEATRO
NESTES SITES TEM VÁRIOS TEXTOS PARA TEATRO

http://virtualbooks.terra.com.br/livros_online/teatro_mundial.htm

http://oficinadeteatro.com/component/jdownloads/

http://www.itaucultural.org.br/teatro

http://www.ctac.gov.br/tdb/index.html

http://revistaescola.abril.com.br/arte/pratica-pedagogica/teatro-ensina-viver-424918.shtml


VIK MUNIZ
Vik Muniz, um dos fotógrafos brasileiros mais conhecidos e respeitados no mundo todo.
Seu trabalho é familiar para muita gente pelas próprias características da forma de expressão que o artista escolheu, a fotografia, onde ele pode ser reproduzido infinitamente (experimente dar um google de imagens com seu nome para ver se você não reconhece boa parte das fotos que vêm no resultado). Mas o impacto de vê-las de perto, como é possível agora no Brasil, certamente é ainda mais forte.

Vik Muniz é capaz de olhar coisas cotidianas que ninguém dá importância artística como poeira, lixo, calda de chocolate, caviar etc e, com elas, recriar possibilidades de apresentar e perceber o mundo.
Em suas obras, esses materiais inusitados viram arte sendo utilizados para recriar grandes ícones da fotografia e da pintura. O resultado são quadros surpreendentes. Ao mesmo tempo parecem familiares e estranhos. As fotos de Muniz não deixam de provocar uma reflexão bem humorada e divertida sobre a nossa forma de ver e compreender as imagens.
Com mais de 120 trabalhos desde o início de sua carreira, no fim dos anos 1980, até os dias de hoje, Vik é a maior exposição já dedicada ao artista. Depois de passar pelos Estados Unidos, Canadá e México, ela chega ao Brasil no momento em que Vik Muniz atinge o ápice de seu reconhecimento, tornando-se um dos artistas brasileiros mais consagrados no cenário internacional.
Para Vik Muniz, o artista faz a metade do trabalho; a outra parte é feita pelo espectador, que exerce um papel ativo.


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=HkNLfkKeKrU

Vik Muniz - Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=geunFuMJ-sE
Passione-Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=vAs9-wh-dZA&feature=related
Vik e sua infância- Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=AGQa3dy9yAc&feature=related
Marat - Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Tdgn6uiIq2Y&feature=related
Arte-Vik Muniz - Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=z1b_7GOoqtU

IVALDO BERTAZZOFonte: http://ivaldobertazzo.com/

Desde os anos 70, Ivaldo Bertazzo vem desenvolvendo trabalhos com pessoas comuns, de diferentes classes e profissões, todos engajados na educação do corpo e transformação do gesto como manifestação da própria individualidade – batizado por ele de "Cidadãos Dançantes".

Paulistano da Mooca, Bertazzo começou a dançar aos 16 anos. Teve aulas com Tatiana Leskova, Paula Martins, Renée Gumiel, Ruth Rachou, Klauss Vianna e Marika Gidali. Esteve no Taiti, Turquia, Grécia, Espanha, nos Bálcãs, Indonésia (inclusive fala a língua), Índia, Paquistão, Tailândia, Myanmar, Vietnã, Laos, Nepal, Etiópia, Madagascar, Yemen, Irã, Argentina, Chile, Bolívia, Peru e Sri Lanka, entre ouros, incorporando as danças étnicas e a cultura desses locais em seu trabalho.

Ao lado da dança, aprofundou-se na fisioterapia, aliando ao seu Método o estudo do funcionamento do aparelho locomotor e da biomecânica humana, desenvolvido pelas pesquisadoras Marie Madeleine Béziers e Suzanne Piret, na França, e Godelieve Denys Struyf, na Bélgica. "No corpo, operam-se sempre nossas transformações. Ele é nosso primeiro instrumento, nosso primeiro limite, e nos ensina o senso primário de organização e desorganização", afirma Bertazzo.

Em 1975, criou a Escola do Movimento – Método Bertazzo, com o objetivo de aplicar o conceito que chamou "cidadão corpo" – por meio de seu Método, ampliar no aluno a consciência, a autonomia e a estrutura próprias do movimento. O ensino é replicado para arte-educadores, visando à multiplicação dos seus ensinamentos.

Entre 1976 e 1992, Bertazzo criou 24 espetáculos em dois planos – um da arte mais sofisticada, com bailarinos profissionais e aparato cênico, outro da "dança-cidadania", com não-profissionais e espírito de mutirão. Foi a partir de 1996, com o espetáculo Cidadão Corpo, que ele passou a trabalhar a "identidade brasileira do movimento" numa série de criações marcantes tendo o corpo ligado à questão da cidadania.

Nos últimos anos, Bertazzo vem trabalhando ativamente com a periferia e com empresas privadas. Ao trabalhar com adolescentes em zonas de risco, exerce uma influência que chega a ser transformadora em termos pedagógicos, psicológicos e sociais. Ele montou uma companhia de bailarinos profissionais vindos da periferia e de projetos sociais. A preocupação não é formar dançarinos profissionais, mas preparar os indivíduos para um cotidiano digno. A partir do ano 2000, cerca de 60 adolescentes, de 12 a 18 anos, do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, participaram de um projeto de experimentação dos princípios da coordenação motora, segundo o Método de Bertazzo. Este trabalho gerou três espetáculos: Mãe Gentil (2000), Folias Guanabaras (2001) e Dança das Marés (2002).

Em 2002, voltou para São Paulo, recrutou jovens de ONGs de várias periferias e deu início ao projeto Dança Comunidade – em parceria com o Sesc, com patrocínio da Petrobrás e co-patrocínio do Instituto Votorantim. Os 40 selecionados partiram para um intercâmbio cultural. Da união desses jovens com músicos vindos da Índia e percussionistas de escolas de samba, nasceu Samwaad – Rua do Encontro (2003), que representou o Brasil na França e na Holanda. Em 2005, foi a vez de Milágrimas, com integrantes da África do Sul, e, no ano seguinte, Bertazzo transformou este grupo de jovens em companhia profissional – fundou a Companhia de TeatroDança Ivaldo Bertazzo. Em seguida, estreou o espetáculo Mar de Gente.

Em 2007, Bertazzo voltou aos palcos – após vinte e dois anos atuando apenas nos bastidores – com o espetáculo Kashmir Bouquet, sua 35ª montagem, com retorno da temporada em abril de 2008. Ele interpretou um clown do teatro balinês e uma hilária drag queen lutadora de kung fu. Bertazzo reuniu 83 Cidadãos Dançantes no palco, a maioria não bailarinos, pessoas comuns de diversas profissões, lotando o Teatro Tuca durante a temporada.

Em abril de 2008, estreou um quadro quinzenal no programa Fantástico, da TV Globo, em que mostra, por meio de alguns exercícios e com ajuda de atores e cidadãos comuns, como é possível compreender o próprio corpo, usufruir suas possibilidades e ter pequenos cuidados para viver mais e feliz. O quadro tem apresentado picos de Ibope no conjunto das atrações do programa.

Bertazzo mantém, há dois anos, a Escola do Movimento Ivaldo Bertazzo, no bairro da Pompéia, e oferece o curso de formação no Método Ivaldo Bertazzo para educadores e não profissionais.

Samwaad - Rua do Encontro
Não é de hoje que o coreógrafo Ivaldo Bertazzo adotou uma proposta social em seu trabalho. Após trabalhar com as crianças do Complexo da Maré, ele apresentou o novo espetáculo, "Samwaad - Rua do Encontro", em temporada no Sesc Tijuca, com o corpo de baile formado por jovens vindos da periferia de São Paulo.

O objetivo inicial de Bertazzo é unir extremos culturais através da dança e da música. "Linguagens distantes no tempo podem se complementar no mundo voltado para globalização e produzir encontros inusitados de gestos e sons", afirma. No palco, uma grande rua, por onde 55 jovens, vindos de sete ONGs da periferia paulistana, desfilam coreografias que seguem a proposta "sem fronteiras" da montagem.

A música indiana foi uma das principais inspirações para "Samwaad", palavra que significa harmonia em hindu. A trilha do espetáculo foi baseada em escrituras sagradas do hinduísmo e fala de iluminação, de entendimento. Além da filosofia, um "toque oriental" será dado por uma dançarina indiana e sete ritmistas.

Toque brasileiro

No Sesc, instrumentos como a cítara indiana e o odissi estarão dialogando com o tamborim e o pandeiro. Inclusive, um casal de passistas está no elenco da encenação. A idéia é falar também de identidade e de cultura, sob a perspectiva do equilíbrio harmônico das relações:

"Há pontos em comum que se conectam em todas as classes sociais e em todos os povos. A diversidade cultural está enraizada em cada um de nós e, quando unimos extremos no palco, o resultado surpreende e aí percebemos que todas as possibilidades estão dentro de cada um e que a interação existe", explica Bertazzo.

A ficha técnica de Samwaad é de respeito. O carnavalesco Chico Spinosa foi recrutado para cuidar do visual do espetáculo e criou inusitados figurinos para o elenco. Elementos orientais tomam conta da montagem, com iluminação assinada pela dupla Pedro Pederneiras e Fran Barros.



Samwaad Rua de Encontro - Ivaldo Bertazzo - Parte 1- Fonte:
http://www.youtube.com/watch?v=0ixCNWcNIgk

Samwaad Rua de Encontro - Ivaldo Bertazzo - Parte 3- Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=EnQZ7hgmSVo&feature=related

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